quarta-feira, 25 de maio de 2011

Breve histórico

A corrente Expressionista surge em meio ao pós – Primeira Guerra Mundial, quando a Alemanha estava destruída e sofrendo severas punições e restrições, referentes ao Tratado de Versalhes, que impõe rígidas cobranças ao país, que estava com um espírito fortemente derrotista e depressivo por conta da derrota bélica.          
 Em paralelo, também vem pra se contrapor ao impressionismo, frente ao naturalismo, a racionalidade, e ao estilo positivista dessa corrente. No mesmo momento em que o Expressionismo alemão se destacava, outras correntes, também expressionistas se apresentavam em outros países europeus. As variantes do expressionismo são o Fauvismo, Cubismo, Surrealismo, Abstracionismo,...
Contudo, apesar de todas mostrarem suas próprias impressões da realidade, cada uma delas teve suas características, partindo de um ponto inicial, e talvez o mais importante, a subjetividade.
 O Expressionismo alemão defendia uma arte mais pessoal e individualista, onde a visão do artista era predominante, projetando na obra de arte uma reflexão individual e subjetiva em quem as contemplava. Para esses artistas, o irracional, o pessimismo e a angústia eram transformados facilmente em temas de inspiração. O expressionismo revelou o lado mais realista do ser humano, um lado pessimista da vida, com angústias existenciais em uma sociedade moderna, onde o indivíduo se encontrava isolado e alienado.
Logo, as distorções da realidade servem para acentuar a subjetividade, dando mais valor ao sentimento do que a descrição objetiva da realidade, a verossimilhança não é tão fundamental, e as obras muitas vezes têm tons de um ambiente anarquista e apocalíptico. Essa tendência de distorção evidenciava o que realmente era primordial no que estava sendo retratado, de um ponto de vista totalmente ligado ao seu criador, tentando assim, sensibilizar o espectador e atingir seu lado mais emotivo.
Como aliado nesse processo todo, os expressionistas usavam cores vibrantes e contrastantes, que remetiam ao sobrenatural e ao inconsciente. Essa posição contra o racionalismo, e colocando em voga o sentimento ao invés da razão, foi muito influenciada por pensadores da época, como a filosofia de Nietzsche e os estudos da mente e da pscicanálise de Freud.
O Expressionismo alemão teve duas frentes importantes. O primeiro grupo que se destacou foi Die Brücke ( A Ponte ) com um comportamento mais marcante e forte, eles consolidaram o expressionismo e suas temáticas da angústia da condição humana e a forte crítica social; usavam cores puras e ácidas, como verdes e vermelhos. Kirchner, um dos artistas envolvidos em Die Brücke dizia que seus quadros tinham raízes na experiência natural.  Já o grupo que se formou posteriormente, Der Blaue Reiter ( O Cavaleiro Azul ) era mais caracterizado por sua intelectualidade e forma mais abstrata de demonstrar sua subjetividade, agora as figuras eram mais geométricas e seus temas abstratos.
 Kandinsky, integrante do Der Blaue Reiter comenta, na primeira exposição realizada pelo grupo: "Nesta pequena exibição, nós não tentamos propagar um preciso e particular estilo pictórico; nós, melhor do que isso, tentamos mostrar, pela variedade de formas representadas, a multiplicidade de caminhos nos quais os artistas manifestam seu desejo interior". Com a subjetividade ainda presente em suas obras, o Expressionismo alemão teve diversas facetas.
O período entre guerras foi o momento em que os artistas expressionistas mais tiveram liberdade e espaço para criar, pois, com o início da Segunda Guerra Mundial, houve uma grande rejeição ao estilo, várias obras foram destruídas durante o comando de Hitler. Considerada pelos nazistas como uma Arte Degenerada, os pintores sofreram perseguições e só retomaram seus trabalhos após a Segunda Guerra Mundial, onde usaram esse espaço para fazer uma crítica ao nazismo e fascismo, e também usaram a guerra e os sentimentos que a envolviam como uma nova temática.

Principais características do movimento

  • Ângulos acentuados.
  • Contornos "sombrios".
  • Cores contrastantes. Cores "puras e ácidas": verdes, vermelhos, amarelos e preto.
  • Enfatizava o olhar emocional do artista. Se opondo a visão tradicional, onde se deveria reproduzir fielmente o que os olhos captavam, a aparência do objeto de seu trabalho.
  • Ar mórbido, sombrio, dramático.
  • Visualização subjetiva.
  • Repulsa a burguesia.
(fontes: http://www.mac.usp.br/mac/templates/projetos/seculoxx/modulo1/expressionismo/exp_alemao/index.html , http://www.educ.fc.ul.pt/docentes/opombo/cinema/dossier/anjo_azul/aa-expressionismo.htm)

Analisando 3 obras

O GRITO

- Quadro de Edvard Much, 1893
- Apresenta duas pessoas ao fundo e, em primeiro plano, e um personagem sem uma definição exata, pois é uma imagem distorcida e com aspecto de desespero
- A linha diagonal da ponte divide a imagem em dois planos, colocando as linhas curvas como fundo, mas ao mesmo tempo evidenciando a imagem principal que quebra o ritmo das linhas retas
- Ao fundo, o reflexo do céu na água e aparentemente dos barcos distantes
- As linhas curvas soam de acordo com as emoções representadas, e não suas formas reais
- A forma da boca do personagem principal perturba o observador
- O céu passa um aspecto de aridez, secura
- Apresenta uma mistura de cores quentes e frias em tons fortes
- Linhas retas em contraste com linhas curvas
- Pinceladas soltas, mas direcionadas
- A união de todos os elementos do quadro gera agonia

CINCO MULHERES NA RUA

- Quadro de Ernst Kirchner, 1913
- Apresenta cinco mulheres nobres vestidas elegantemente
- Enquanto quatro mulheres olham para o mesmo lado, com expressões duras, a restante  olha para o outro lado e dá um sorrisinho malicioso
- Parecem estar imóveis
- As formas humanas não representam o real
- Traz um ar arrogante, talvez por ter as silhuetas alongadas
- Utiliza somente cores frias
- Não possui chão e fundo definido
- Possui uma folhagem ao fundo, que se mistura com as formas do quadro
- Pinceladas soltas, sem padrão

Casas Vermelhas

- Erich Heckel, 1908
- Representa ser um vilarejo
- Contém figuras de difícil compreensão
- Apresenta cores fortes, com predominância visual das cores quentes
- As figuras não têm um contorno definido
- A cerca torta passa a idéia de depredação, desleixo
- Predominância de linhas curvas
- Traz uma sensação de vazio, abandono, pois há somente o cenário, sem presenças humanas
- O fundo não se deixa definir como montanhas ou árvores
- As pinceladas são firmes e fortes, porém sem direção

Artista Brasileira no Expressionismo Alemão

ANITA MALFATTI

Anita Malfatti foi à Alemanha em 1912, e lá teve contato com o Expressionismo alemão, o qual influenciou as suas obras. Em 1917, depois das suas duas exposições na mostra de arte moderna, a autora gera diversos rebuliços na arte, e deu início ao movimento modernista em 1922.


Um pouco de sua história:

Anita Malfatti nasceu em São Paulo no dia 2 de dezembro 1889. Não nasceu em uma família rica, mas também nunca passou necessidades. Seu pai era um engenheiro italiano chamado Samuel Malfatti, e sua mãe era americana, se chamava Elisabete, era pintora, desenhista, falava vários idiomas e tinha uma sólida cultura, cuidando pessoalmente da educação da filha.
Anita passou no exame da de seleção da Mackenzie College sem maiores dificuldades. Lá ela estudou e se formou professora com apenas 19 anos de idade.
Um pouco antes de se formar, seu pai chega a falecer. Seu pai era a quem ela tinha um forte apego e quem sustentava a família. A partir de então, a mãe passou a dar aulas de idiomas e de pintura, enquanto que, para complementar o orçamento doméstico, Anita começou também a trabalhar como professora.
O talento da jovem Anita despertou interesses na família, principalmente ao tio e ao padrinho. Com muito sacrifício, e todos juntos, conseguiram reunir uma quantia de fundos para ela fazer uma viagem de estudos na Alemanha.
Em setembro de 1910, Anita chegou a Berlim, e passa a ter aulas particulares com Fritz Burger em seu ateliê. Já no início do ano seguinte, matriculou-se na Academia Real de Belas-Artes. Depois que visitou uma exposição em Sounderbund, tomou contato com a arte dos rebeldes, desligados do academicismo ensinado nas escolas. Fascinada com tudo aquilo, aproximou-se do grupo e passou a ter aulas, primeiro com Lovis Corinth e depois com Bischoff-Culm, aprendendo pintura livre e a técnica da gravura em metal.
Em 1914, Anita retorna ao Brasil, para logo em seguida viajar para os Estados Unidos, terra natal de sua mãe, onde se matriculou na Art Students League, sob a orientação de Homer Boss. Lá ela teve a liberdade de pintar o que desejasse, com toda a força própria de criação, sem quaisquer limitações estéticas.
Esse foi o período que mais marcou sua vida, no qual Anita pintou O homem amarelo, Mulher de Cabelos Verdes, O Japonês, e vários outros quadros. E então ela retorna ao Brasil.
Em 1916, Anita estava com 27 anos, já era adulta e madura, e sentia-se suficientemente segura para expor sua nova concepção de arte, voltada para o Expressionismo. Em 12 de dezembro de 1917, realizou uma única apresentação de seus trabalhos. Em 1922, junto com seu amigo Mario de Andrade, participou da Semana de Arte Moderna. Ela fazia parte do Grupo dos Cinco, integrado por ela, Mario de Andrade, Tarsila do Amaral, Oswald de Andrade e Menotti del Picchia.
Entre os anos de 1923 e 1928 foi morar em Paris. Retornou à São Paulo em 1928 e passou a lecionar desenho na Universidade Mackenzie até o ano de 1933. Em 1942, tornou-se presidente do Sindicato dos Artistas Plásticos de São Paulo. Entre 1933 e 1953, passou a lecionar desenho nas dependências de sua casa.


Principais obras: 

A Boba.











A Estudante Russa.










O Homem das Sete Cores. 













O Homem Amarelo.





 - Nu Cubista.

Exemplares de design de moda

ESTILISTAS


Samuel Cirnansck


Paulista autodidata em moulage e costura. Suas coleções são inspiradas nas artes cênicas; em seu primeiro desfile internacional, no Miami Fashion Week de 2005 se inspirou na arte expressionista alemã.




John Galliano

É um estilista Britânico e graduado pela universidade ST. Martins College of Art & AMP em Design de Moda. Ex-diretor criativo da marca francesa renomada Dior, mantém sua própria marca com o seu nome. Na semana de moda em Paris deste ano apresentou uma coleção inspirada na arte expressionista da pós-guerra, o expressionismo alemão.


(fonte: http://babygarroux.blogspot.com/2011/03/o-gagalliano-se-desculpa.html)


Rodrigo Fraga


O estilista mineiro irmão do renomado estilista Ronaldo Fraga criou uma coleção a “2 Atos” inspirada no filme Metrópolis. Um dos maiores clássicos da ficção científica mundial da época do expressionismo alemão.

http://www.youtube.com/watch?v=lk2jJsFvGgs






EDITORIAIS

Vogue Alemã (2010)

Desde 1920 sendo uma das revistas mundialmente conhecida, surpreendendo sempre seus leitores com seus belos ensaios, no ano de 2010 trouxeram o multifacetado Karl Lagerfeld e a modelo Kate Moss. Em um editorial inspirado no belo e excêntrico filme expressionista alemão chamado "Metrópolis" (1927).